A Copa de 2026
Fazia muito tempo que eu não assistia ao futebol. Gosto muito do esporte, mas me desencantei grandemente de acompanhar o futebol profissional desde o rebaixamento da Portuguesa1 em 2013. Naquele tempo eu ainda torcia para a Lusa, mas não foi "dor de cotovelo"; foi cansaço mesmo.
Cansei de ver a corrupção, o poder e o dinheiro ditando o futebol profissional. Cansei de me sentir manipulado por instituições, inclusive pelo time pelo qual eu tinha afeição. Naquele tempo, ficou a impressão de que alguns dirigentes da própria Portuguesa sabiam que iria dar no que deu: um abismo atrás de outro abismo.
Enfim, parei de acompanhar, de torcer, de gastar meu tempo e dinheiro com o totem "futebol profissional".
Nestas condições, depois de mais de 13 anos, resolvi aproveitar as férias e acompanhar um pouco como anda essa terra, assistindo a alguns jogos da Copa do Mundo FIFA de 2026. Aqui vai um "olhar de fora".
A seleção brasileira (com minúsculas propositais) chegou até onde merecia, na minha opinião. Nem mais, nem menos. Um time de nível de oitavas de final mesmo. Tinha condições justas de passar pela fase de grupos e avançar um degrau. Não tinha organização tática para ir além disso.
Assisti a alguns jogos integralmente, e foram vários jogos muito bons! Nenhum deles, infelizmente, tinha a seleção em campo.
Graças à internet, vi TODOS os gols da Copa. Isso é impressionante, principalmente em se tratando da Copa com maior número de jogos de todos os tempos.
Como sempre, vimos alguns ícones do futebol se despedindo e alguns novos talentos promissores.
Vi espantado algumas (para mim) novidades, como o VAR permitindo aos juízes que relaxem bastante em suas zonas de conforto ("acho que foi, mas não vou marcar pênalti agora; deixa alguém reclamar que eu vejo no vídeo em câmera lenta"). Novidade para mim também foi um jogador deitado atrás da barreira na falta. Interessante e peculiar.
Um ponto muito positivo, para mim, é que aparentemente diminuiu um pouco o "cai-cai" e a choradeira. Ainda tem, mas acho que está cada vez mais pegando mal essa atitude, tão típica dos brasileiros e sul-americanos em geral.
Restam as minhas considerações gerais. Nada me animou a voltar a ajoelhar-me diante dos deuses estranhos da fifa (com minúsculas propositais) e suas hordas de fétidos patrocinadores, bets e outros arquétipos.
E um desejo, sincero e nostálgico, vindo do garoto inconsolável que ficou o dia inteiro na frente da televisão2 em 5 de julho de 1982: espero que surja uma geração de bons jogadores brasileiros que pratiquem o esporte pela vontade sincera de jogar bola.
Referências
- [1] EL PAÍS. No “tapetão”, Fluminense se salva e Portuguesa cai para a segunda divisão. 2013. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2013/12/27/deportes/1388170859_884888.html>. Acesso em: 06 jul. 2026.
- [2] WIKIPEDIA. Tragédia do Sarriá. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Trag%C3%A9dia_do_Sarri%C3%A1>. Acesso em: 06 jul. 2026.