Notas e Reflexões

Assinatura João Arci

Pensamentos, estudos e inspirações ao longo do Caminho.

20 de Julho, 2026

O Fim das Férias e o Fim do Túnel

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Já acabou??

Sentir-se triste quando o final das férias se aproxima é uma experiência quase universal, uma espécie de luto antecipado pela perda da liberdade e do lazer que esses períodos nos proporcionam. Principalmente quando saímos por mais de 20 dias, nos acostumamos com uma rotina suave, sem a pressão de horários rígidos ou obrigações que normalmente nos acompanham no dia a dia. É como se estivéssemos em um estado de suspensão, onde as preocupações do mundo exterior são temporariamente esquecidas, e então, de repente, vemos o retorno às atividades da escola ou do trabalho se aproximando, trazendo consigo a sombra da monotonia e da rotina.

No entanto, o que não é normal é quando esse sentimento de tristeza se transforma em um sentimento de angústia, depressão ou desespero profundo quando o final das férias se aproxima. Se você está de férias do trabalho e experimenta essa sensação exagerada, é um sintoma claro de que é preciso fazer alguma coisa para mudar sua rotina de trabalho, ou mesmo considerar a possibilidade de mudar de emprego. Isso pode indicar que o seu ambiente de trabalho está afetando negativamente sua saúde mental e bem-estar, e que é necessário buscar alternativas que promovam um melhor equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Por outro lado, se você está de férias da escola e sente esse desespero, é um sintoma claro de que a escola precisa mudar. A forma como a educação é estruturada e ministrada tem mais de 200 anos, e está decadente há décadas. Infelizmente, no Brasil, a resistência a mudanças significativas é acentuada por dois motivos principais: o conservadorismo da sociedade brasileira e a falta de vontade política para implementar transformações profundas. Esses dois motivos estão intrinsecamente conectados, criando um ciclo vicioso que dificulta a inovação e a modernização do sistema educacional.

Mas, apesar desses desafios, há uma luz no fim do túnel, ou melhor, no fim das férias. Com relação a mudar de emprego ou buscar novas oportunidades profissionais, cada vez mais temos grandes e viáveis possibilidades de capacitação. Ao contrário do que se diz no senso comum, existe um grande progresso nos sistemas de ensino à distância, e veremos ainda em breve um aumento na qualidade de cursos superiores nesse formato. Isso significa que, independentemente de onde você mora, está cada vez mais viável e acessível buscar capacitação profissional, atualizar suas habilidades e competências, e se preparar para um mercado de trabalho em constante evolução.

No entanto, com relação às mudanças no sistema escolar, infelizmente, não sou tão otimista. A mudança requer uma combinação de vontade política, recursos financeiros e uma visão clara do que se deseja alcançar. Até o momento, esses elementos parecem estar faltando, o que torna o processo de reforma educacional um desafio significativo. Mas, como indivíduo, estou tentando fazer a minha parte, contribuindo para o debate e buscando inspirar mudanças, por pequenas que sejam.

Enquanto isso, vamos focar nos feriados e nas próximas férias, aproveitando ao máximo esses momentos de descanso e lazer. Vamos nos permitir sonhar com um futuro onde o trabalho e a educação sejam fontes de inspiração e realização, e não apenas obrigações a serem cumpridas. E, quem sabe, talvez esses sonhos se tornem realidade, e possamos encontrar um equilíbrio mais saudável entre o trabalho, o lazer e a busca por um sentido mais profundo na vida.

07 de Julho, 2026

Renoir e o Impressionismo

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As pequeninas Alice e Elisabeth Cahen d’Anvers. "Rosa e Azul" (Renoir, 1881).

O Impressionismo figura como um dos movimentos mais fascinantes da história da arte. Embora a palavra evoque, no senso comum, o ato de causar impacto ou "impressionar" o espectador, o termo técnico originou-se de forma satírica na crítica da época. Inspirado na obra Impressão, nascer do sol (1872), de Claude Monet, o nome consolidou-se para definir a busca dos pintores em capturar a impressão visual imediata da luz, da atmosfera e do movimento, preterindo o preciosismo do realismo fotográfico.

Entre os grandes expoentes desse estilo destaca-se Pierre-Auguste Renoir. Artista extremamente prolífico, sua produção estimada ultrapassa milhares de telas (cerca de 5000), além de um volume igualmente expressivo de desenhos e aquarelas1.

Uma de suas obras mais célebres (e uma das que eu mais gosto), integrante do acervo permanente do Museu de Arte de São Paulo (MASP), é Rosa e Azul (1881). Na tela, Renoir retratou as filhas do banqueiro Louis Raphael Cahen d’Anvers: a loira Elisabeth, à direita, nascida em dezembro de 1874, e a mais nova, Alice, à esquerda, nascida em fevereiro de 1876, então com seis e cinco anos de idade, respectivamente2. O quadro exemplifica a fase em que o artista conciliava a liberdade impressionista com o rigor formal do retrato, uma exigência frequente de seus patronos na alta sociedade parisiense.

Referências

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